segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

VELHO CEDRO

 

VELHO CEDRO

Nº 522

No meio do campo vazio, uma enorme árvore! Um cedro! Chegado o tempo da capina, no calor do verão, sentávamo-nos à sobra para descansar. Próxima, uma nascente, corria a uma profundidade de três metros. Dali, retirávamos a água fresca para saciar a sede. Desta fonte, também corria a água que aliviava o suor do corpo.

À sombra do cedro, escutávamos o gorjear dos pássaros, que assolados como nós, cantavam com sofreguidão. Escalando o tronco majestoso, pequenos animais e insetos iam e vinham, em sua faina cotidiana pela comida. Árduo trabalho compartilhado entre humanos e inumanos! Esta observação rotineira servia de consolo: afinal, todos estávamos no mesmo labor. Um universo vivo sobrevivia naquela árvore marcada pelo tempo.

Eventualmente, soprava leve brisa. Folhas secas se desprendiam dos galhos bailando até o chão. Cada uma, desenhava uma elipse distinta aterrissando espaços diferentes. Ao soprar mais forte, as folhas se espalhavam e se juntavam. O farfalhar produzia um som arrastado. Folhas verdes sacudiam vigorosas formando ondas de idas e de vindas. Galhos se inclinavam e o velho cedro andava!

Nas tardes de folga, a árvore se transformava em parque de diversões. A gurizada corria para ver quem chegava primeiro. A escalada do tronco, dos galhos, da imaginação, voava solta em cada um. Sentir-se nas alturas produzia a indescritível sensação de liberdade.

Sozinho, no meio do campo, enfrenta temporais de toda a sorte. Mais de cinquenta anos depois de minha infância, retornei ao mesmo lugar: lá continuava, o velho cedro, testemunha da resiliência de quem se dobra, mas não se vai...

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