sábado, 4 de agosto de 2012

PARA DEIXAR O CIGARRO - ANO 02 – Nº 510


PARA DEIXAR O CIGARRO

Alguns dos personagens que povoaram a minha infância me marcaram pelos causos que contavam. Causos são causos. Não se pode levar ao pé da letra, como correspondendo aos fatos, mas são narrativas construídas que prendem a atenção porque são bem elaboradas.

Um desses personagens foi o Tio Justino. Vez por outra nossa família ia visitá-lo, para escutarmos o Rodeio Coringa (programa gauchesco da Rádio Farroupilha) e depois para a roda dos causos – era a que eu mais gostava.

Certa noite, Tio Justino contou que um compadre foi se queixar ao outro que não conseguia parar de fumar. A “patroa” já estava se queixando dos roncos e das tosses todos os dias. Já tinha tentado várias vezes, mas não tinha conseguido nada. Foi então, ao compadre, mais idoso, pedir uns conselhos.

O compadre deu uma pigarreada, cuspiu no chão (um hábito comum na campanha gaúcha de antanho) e começou: “Pois bem compadre, vou te dar um conselho que é tiro e queda. Antes de escurecer, depois da janta, quando tu tiver com “aquela” vontade de pitar, pega um copo e coloca até a metade de água e deixa ele sobre o mochinho.”.

O compadre que veio se aconselhar ficou esperando o resto do conselho, mas não ouviu nada. Pergunto ao compadre mais velho: “Mas e aí, compadre, o que eu faço?”. “Pois bem”, disse o conselheiro, “Aí tu completa a outra metade do copo com um pouco de vergonha. Tá pronto o modo de tu parar com essa fumaceira!”.

Dizem que o aconselhado ficou tão furioso que saiu sem se despedir. Desde aquele dia nunca mais botou um cigarro na boca.

Votos de um bom sábado!

3 comentários:

  1. Meu prezado colega Garin,
    obrigado por me evocar o "Grande Rodeio Coringa" patrocinado pelas alpargatas Rodas, na rádio Farroupilha, nas noites de domingo, onde um dos mais apreciados segmentos era a disputa de trovas entre famosos repentistas.
    Com admiração,
    attico chassot

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    1. Amigo Chassot,
      quando começavam as trovas, última parte do programa, já começava a dar um sentimento de saudade, pois não eram todos os domingos que tínhamos a oportunidade de escutar o programa.
      Um abraço,

      Garin

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