EQM
ANO 02 –
Nº 402
Participei ontem do II Fórum de
Espiritualidade e Saúde promovido pelo Hospital de Clínica de Porto Alegre. Essa
iniciativa, no contexto de um Hospital de Clínicas, constitui uma experiência
singular e já possui uma longa caminhada. Um Núcleo de estudos sobre essa
relação envolvendo o tratamento da saúde clínica com a espiritualidade e a
religiosidade já existe há vários anos.
A necessidade de uma assistência de
espiritualidade que os pacientes manifestam tem levado enfermeiros e médicos a
estudarem e refletirem sobre essa dimensão que transcende os experimentos da
ciência da natureza. Em virtude de suas características subjetivas, o
conhecimento da dimensão da espiritualidade não se adéqua, com facilidade, às
categorias cartesianas da experimentação ditas científicas. Mesmo assim, esse
núcleo não se acovardou diante do desafio e tem refletido e promovido estudos e
eventos para analisar esse espectro, de certa maneira estranho ao cotidiano do
tratamento clínico.
Uma particularidade do evento foi a
conferência proferida pelo Dr. Emanuel Burck dos Santos sobre o tema “Explorando
as fronteiras da relação mente-cérebro”. Entre outras preocupações estava a dificuldade
de localização de mente e consciência do ponto de vista físico. É impossível
determinar onde está a mente, que por um longo tempo se acreditou ligada apenas
ao cérebro. Da mesma forma onde se encontra a consciência: seria no cérebro? Não
poderia estar relacionada a outro órgão do corpo humano ou a órgão nenhum? Como
disse o conferencista, há mais interrogações do que afirmativas axiológicas
sobre essa investigação.
Parte de sua conferência se direcionou à
EQM, experiência de quase morte relatada por inúmeros pacientes que foram reanimados.
Há uma coincidência de detalhes nesses relatos sobre percepções de estar fora
do corpo, túnel escuro com uma luz no final etc. Entretanto, diante da urgência
de socorrer o paciente e reanimá-lo, é difícil fazer experimentos para
determinar a atividade cerebral enquanto se reanima pessoas vítimas de eventos cardíacos,
por exemplo. Também nesse campo do conhecimento há mais dúvidas do que
respostas, embora estudos místicos entendam que tais relatos se referem a
experiências de morte e de abandono da alma. Entretanto, em virtude da
impossibilidade de experimentos comprobatórios, tais manifestações ficam circunscritas
à esfera do conhecimento da fé.
De qualquer maneira, gostaria de manifestar
os meus cumprimentos ao Núcleo de Estudos de Espiritualidade e de Religiosidade
do Hospital de Clínicas de Porto Alegre pela coragem da iniciativa que, mesmo
tratando-se de uma instituição laica tem abrigado esse tipo de preocupação.
Com votos de uma ótima quarta-feira!
DESTAQUE DO DIA
Nascimento de Monteiro Lobato (130 anos)
Foto 1. |
José
Bento Renato Monteiro Lobato nasceu em Taubaté a 18 de abril de 1882 e morreu
em São Paulo a 4 de julho de 1948. Foi um dos mais influentes escritores
brasileiros do século XX, importante editor de livros inéditos e autor de traduções
significativas. Seguido a seu precursor Figueiredo Pimentel ("Contos da
Carochinha") da literatura infantil brasileira, ficou popularmente
conhecido pelo conjunto educativo de sua obra de livros infantis, que constitui
aproximadamente a metade da sua produção literária. A outra metade, consistindo
de contos, geralmente sobre temas brasileiros, artigos, críticas, crônicas,
prefácios, cartas, um livro sobre a importância do petróleo e do ferro, e um
único romance, O Presidente Negro, o qual não alcançou a mesma popularidade que
suas obras para crianças. Destacam-se entre as mais famosas, Reinações de
Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Pica-pau Amarelo (1939).[1]
[1]
MONTEIRO LOBATO. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Monteiro_Lobato.
Acesso em 18 abr 2012.
Foto 1: Disponível em http://monteirolobatoeopetroleo.blogspot.com.br/
Meu caro Garin,
ResponderExcluirEQM... não conhecia esta sigla e também conheço muito poucos relatos de quem tenha vivido EQM.
Devo dizer, que a medida que somamos idade parece que sentimos M mais perto de nós.
Suam aproximação é recorrente em meu cotidiano principalmente quando projeto futuro.
Por exemplo quando tenho nos braços Carolina, minha neta menor de quase meio ano penso que não estarei aqui, por exemplo quando ela chegar a Universidade.
Isto me deixa triste.
Releva fazer aqui e agora essa confidência, meus esta edição catalisou isto.
Com estima
attico chassot
Amigo Chassot,
ExcluirA M provoca múltiplos sentimentos em todos nós, o mais comum é essa sensação de limite que, segundo Heidegger, é a causa de nossa angústia existencial. Se posso te confortar, a experiência é menos dolorosa do que a previsão. Essa vem sempre prenhe de fantasias que não nos ajudam.
Um abraço,
Garin