quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

UM NÚMERO

ANO 01 – Nº 271

O semáforo abriu e, como o resto do tráfego, avancei junto. Não havia andado cinquenta metros e o telefone celular tocou. Como estivesse dirigindo, apenas olhei o número no identificador de chamadas e voltei a colocar o aparelho no console do carro. Tratava-se de um telefone desconhecido que não fora identificado pela minha agenda eletrônica.

Prossegui até ao destino e quando estacionei o carro tomei o aparelho para retornar a ligação. O telefone chamou até cair o sinal, mas não houve quem o atendesse. Deixei passar alguns minutos e refiz o contato novamente. Outra vez o telefone tocou, mas ninguém atendeu. Admiti, para mim mesmo, que caso se tratasse de uma ligação importante, a outra pessoa tentaria nova ligação e encerrei a ligação.

Tratava-se de um número de telefone celular da mesma área de cobertura. Como deve acontecer com a maioria das pessoas fiquei imaginando de quem se tratava. A primeira situação que imaginei é que poderia ser de algum colega solicitando uma informação ou uma ajuda. Quem sabe poderia ser de um amigo ou familiar que havia trocado de aparelho e estivesse fazendo a primeira ligação para informar o novo número. Poderia ser de algum aluno, que a essa altura do ano letivo sempre se interessa pelo professor, especialmente quando está com a sua situação de notas a perigo. Caso não fosse essas situações poderia ser de uma pessoa que chamou para o número errado.

A impossibilidade de estabelecer contato gera em nossa mente uma porção de interrogações que vão da alegria de uma boa notícia a comunicação de uma tragédia. Entre esses dois pólos, nossa mente criativa, é capaz de imaginar coisas ‘inimagináveis’ (o contra-senso é de propósito). Surpreende a tendência de nossa mente em direção às coisas ruins. A gente pensa muito mais em notícias de tragédias do que de notícias de alegria. Poderia ser algum amigo, cujo telefone não está registrado na agenda convidando para uma celebração de final de ano. Poderia ser um convite para um seminário, uma palestra, uma participação em simpósio, sei lá, algo de bom. Ao contrário, o que mais vem à mente é que fosse alguém conhecido que tivesse adoecido, um acidente de trânsito, comunicação de alguém que tivesse sido assaltado.

Pois é, o que eu tinha era apenas um número, mas junto com ele, uma multidão de possibilidades criativas que a mente expande.

Com os votos de uma boa quarta-feira!


DESTAQUE DO DIA

Morte de Cícero

Marco Túlio Cícero[1], em latim Marcus Tullius Cicero (Arpino, 3 de Janeiro de 106 a.C. — Formia, 7 de Dezembro de 43 a.C.), foi um filósofo, orador, escritor, advogado e político romano. Cícero é normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Foi ele quem apresentou aos Romanos as escolas da filosofia grega e criou um vocabulário filosófico em Latim, distinguindo-se como um linguista, tradutor, e filósofo. Um orador impressionante e um advogado de sucesso, Cícero provavelmente pensava que a sua carreira política era a sua maior façanha. Hoje em dia, ele é apreciado principalmente pelo seu humanismo e trabalhos filosóficos e políticos. A sua correspondência, muita da qual é dirigida ao seu amigo Ático, é especialmente influente, introduzindo a arte de cartas refinadas à cultura Europeia. Cornelius Nepos, o biógrafo de Ático do século I a.C., comentou que as cartas de Cícero continham tal riqueza de detalhes "sobre as inclinações de homens importantes, as falhas dos generais, e as revoluções no governo" que os seus leitores tinham pouca necessidade de uma história do período.


[1] CÍCERO. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADcero. Acesso em 7 dez 2011.

4 comentários:

  1. Meu caro Garin,
    o telefone celular nos envolve muito nestas conjecturas. Pior é quando aparece o ‘privado’ que pode ser tanto de uma fonte digna quanto de um presídio fazendo chantagem. Uma e outra ligação não oferecem chance de retorno.

    attico chassot

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  2. Caro Chassot,

    há momentos que a gente quase entra em pane. Isso acontece quando se está aguardando uma ligação importante e acontece esse tipo de situação - é de matar!

    Um abraço,

    Garin

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  3. Paulo Braga Garcia7 de dezembro de 2011 23:05

    Prezado Pr.GARIN.Hoje mesmo passei por essa condição do teu comentário sobre ligações não atendidas e recebidas no celular. Havia colocado no "modo Reunião"para submeter-me a um tratamento dentário e esqueci de voltar ao "perfil geral";mais tarde encontrei uma ligação identificada apenas como Gerente do Banco tal.Quantas elocubrações : Seria o asiosamente esperado Refinanciamento $ que solicitara. Ou "puxão de orelha" por eventualmente ter excedido o limite... rsss.Liguei para a telefonista do Bco. mas ela furtou-se a querer me localizar a orígem da ligação;ela ainda disse "Se for importnte ele te liga denovo. Talvez tenta te vender um seguro", e desligou na minha cara.Acabou o expediente bancariobem,terei que controlar a ansiedade até o início do expediente do dia seguinte ou ir lá pessoalmente.Abço do Paulo Garcia

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  4. Caro Paulo,

    são essas ligações mal identificadas ou sem identificações que acabam criando uma porção de fantasias em nossa mente e, às vezes, até perturbando.

    Um abraço,

    Garin

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