terça-feira, 6 de março de 2012

Chiqueiro urbano - ano 01 - nº 361

CHIQUEIRO URBANO
ANO 01 – Nº 361

Como tinha um compromisso, pela metade da manhã na parte central da cidade, tomei meu carro e segui por uma avenida movimentada. Como já conhecesse o tráfego da zona, saí bem cedo e não deu outra: peguei um engarrafamento considerável. Até aí, tudo bem, considerei uma coisa normal e já estava preparado para a tranqueira, mas o que assisti, em plena avenida, não tem nada de normal.

À frente do meu carro seguia um automóvel dirigido por uma senhora jovem, que simplesmente não respeitava um dos cuidados mais elementares da civilização e as leis do Código de Trânsito Brasileiro. Primeiro, enquanto dirigia, transformou seu carro na sala de refeições. Comeu uma maçã, abriu o vidro e jogou o caroço da fruta pela janela. Fez o mesmo com a segunda maçã, descartando na avenida, o guardanapo de papel que havia utilizado. Para completar, com o auxílio de uma colherinha, comeu um pote de iogurte e jogou fora o pote vazio.

Não seria adequado comprar essa motorista a uma representante da raça suína até porque, as porcas andam bastante asseadas ultimamente. Mas a cena me chocou demais e só não desci do carro e solicitei que a referida senhora juntasse os detritos da refeição porque o trânsito andava e parava e, noutra ocasião semelhante, fui quase agredido por outra pessoa.

Fiquei imaginando como deve ser a casa dessa pessoa? De que maneira ela descarta os detritos domésticos? Como organiza sua cozinha, sua pia de louças etc.?

É muito fácil reclamar do poder público. É muito fácil colocar a culpa em todo o mundo. O difícil é reconhecer que boa parte dos diferentes problemas urbanos que temos é consequência do desrespeito nosso, da falta de atenção às normativas elementares de convivência social, da negligência própria. Quando alguém se refere à reflexão, à racionalidade, sempre aparece ‘aquela desculpa’ esfarrapada: ai vem mais um filósofo querendo dar lição de moral. Quando não observamos a moralidade mínima, a convivência transforma-se numa selvageria.

A despeito da minha indignação, continuo com esperança de que haverá um futuro, e nele, pessoas mais reflexivas, mais conscientes dos seus papeis e de suas responsabilidades.

Desculpem o desabafo, mas a minha indignação estava explodindo!

Votos de uma terça-feira de muitas realizações!


DESTAQUE DO DIA

Morte de Baudrillard (5 anos)

Jean Baudrillard nasceu em Reims a 27 de julho de 1929 e morreu em  Paris a 6 de março de 2007. Foi um sociólogo e filósofo francês. Suas teorias contradizem o discurso da "verdade absoluta" e contribuem para o questionamento da situação de dominação imposta pelos complexos e contemporâneos sistemas de signos. Os impactos do desenvolvimento da tecnologia e a abstração das representações dos discursos são outros fenômenos que servem de objeto para os seus estudos. Sua postura profética e apocalíptica é fundamentada através de teorias irônicas que têm como objetivo o desenvolvimento de hipóteses e polêmicas sobre questões atuais e que refletem sobre a definição do papel que o homem ocupa neste ambiente.

Para Baudrillard, o sistema tecnológico desenvolvido deve estar inserido num plano capaz de suportar esta expansão contínua. Ressalta que as redes geram uma quantidade de informações que ultrapassam limites a ponto de influenciar na definição da massa crítica. Todo o ambiente está contaminado pela intoxicação midiática que sustenta este sistema. A dependência deste “feudalismo tecnológico” faz-se necessária para que a relação com dinheiro, os produtos e as ideias se estabeleça de forma plena. Esta é a servidão voluntária resultante de um sistema que se movimenta num processo espiral contínuo de autossustentação.[1]


[1] Jean Baudrillard. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Jean_Baudrillard. acesso em 6 mar 2012.

3 comentários:

  1. Amigo Garin,
    adiro a tua indignação com que relatas.
    É injusto aos suínos a comparação.
    Certamente o passo seguinte seria ela esvaziar seu pinico na avenida.
    Com estima
    attico chassot

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    1. Caro Chassot,
      eu fiquei muito indignado, mas tu tens razão: a próxima seri ao pinico.
      Abraço,
      Garin

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  2. Rafael Freitas Barbosa6 de março de 2012 11:04

    Amigo Garin,
    Compartilho da mesma indignação. Infelizmente é com frequência que vejo exemplos do atraso em que vivemos. E o trânsito é um grande laboratório para estudarmos nosso antepassados de eras atrás vivendo aqui e agora. Vivendo, mas não convivendo.
    Considero positiva a indignação, pois revela o nosso grau de consciência. A irritabilidade advinda dela procuro focar na atividade acadêmica, que entendo ser o melhor caminho para darmos nossa contribuição para que esses (muitos) primatas não continuem se perpetuando no tempo.
    Forte abraço,
    Rafael.

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