sexta-feira, 18 de novembro de 2011

AS MÚLTIPLAS VISÕES SOBRE AS MÃOS
ANO 01 – Nº 252
Nem sempre lembramos a importância dos nossos membros como determinantes de nosso corpo. Pernas e pés, braços e mãos são fundamentais para o nosso existir, mas também são determinantes para a expressão de nossa pessoa, mostram nosso caráter. Nesses dias de muitas tarefas para quem é professor, decidi compartilhar com os leitores deste blog, uma poesia linda, escrita pelo Bispo Isac Aço e publicada pela Voz Missionária em março de 1986.
O Rev. Isac foi Bispo da Igreja Metodista entre 1983 e 1991 quando faleceu em acidente de automóvel na BR 386 na altura da cidade de Montenegro, RS.

AS MÃOS[1]

Bispo Isac Alberto Rodrigues Aço

Há mãos que sustentam e mãos que abalam;
Mãos que limitam e mãos que ampliam;
Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados;
Mãos que se abrem e mãos que se fecham;
Há mãos que afagam e mãos que rasgam;
Mãos que ferem e mãos que cuidam as feridas;
Mãos que destroem e mãos que edificam;
Mãos que batem e mãos que recebem as pancadas por outros.
Há mãos que apontam e guiam e mãos que desviam;
Mãos que são temidas e mãos que são desejadas e queridas.
Mãos que dão com arrogância e mãos que se escondem ao dar;
Mãos que escandalizam e mãos que apagam os escândalos;
Mãos puras e mãos que carregam censuras.
Há mãos que escrevem para promover e mãos que escrevem para ferir;
Mãos que pesam e mãos que aliviam;
Mãos que operam e que curam e mãos que amarguram.
Há mãos que se apertam por amizade e mãos que se empurram por ódio;
Mãos furtivas que traficam destruição, e mãos amigas que desviam da ruína;
Mãos finas que provocam dor e mãos rudes que espalham amor.
Há mãos que se levantam pela verdade e mãos que encarnam a falsidade;
Mãos que oram e imploram e mãos que "devoram”
Mãos de Caim que matam;
Mãos de Jacó que enganam;
Mãos de Judas que entregam!
Mas há também as mãos de Simão que carregam a cruz e
As mãos de Mônica que enxugam o rosto de Jesus.
Onde está a diferença? Não está nas mãos, mas no coração.
é a mente transformada que dirige a mão santificada, dedicada.
É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumentos da graça,
Mãos que se levantam para abençoar.
Mãos que baixam para levantar o caído.
E mãos que estendem para amparar o cansado!
São como as mãos de Deus que criam,
que guiam,
que salvam,
que nunca faltam.
Há mãos e... mãos!
- As tuas, quais são?
- De quem são?
- Para que são?


DESTAQUE DO DIA

Aniversário de nascimento de Iberê Camargo (97 anos)

Iberê Bassani de Camargo[2] nasceu em Restinga Seca a 18 de novembro de 1914 e morreu em Porto Alegre a 9 de agosto de 1994, foi um pintor, gravurista e professor brasileiro. Iniciou seus estudos ainda no Rio Grande do Sul, na Escola de Artes e Ofícios de Santa Maria, com Parlagreco e Frederico Lobe. Já em Porto Alegre estudou pintura com João Fahrion. Em 1942 chegou ao Rio de Janeiro, onde cursou a Escola Nacional de Belas Artes. Mas, insatisfeito com a metodologia ali adotada, juntou-se a outros artistas, também insatisfeitos, e com seu professor de gravura, Guignard, para fundar o Grupo Guignard. Em 1953 tornou-se professor de gravura no Instituto de Belas Artes do Rio de Janeiro, lecionando mais tarde essa técnica em seu próprio ateliê ou em permanências mais ou menos longas em Porto Alegre e em outras cidades, inclusive do exterior. Embora Camargo tenha estudado com figuras marcantes representativas de variadas correntes estéticas, não se pode afirmar que tenha se filiado a alguma. Suas obras estiveram presentes, e sempre reapresentadas, em grandes exposições pelo mundo inteiro, como na Bienal de São Paulo e na Bienal de Veneza.


[1] AÇO, Isac. As mãos. Voz Missionária, São Bernardo do Campo, ano 56, n. 1, p. 3, jan./mar.1986.
[2] IBERÊ CAMARGO. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Iber%C3%AA_Camargo. Acesso em 17 nov 2011.

4 comentários:

  1. Meu caro Garin,
    mesmo que o poema do bispo Isac Aço – que aprendo ter morrido próxima a Montenegro, que foi muito a minha cidade – seja prenhe de emoções, assinalo na tua edição de hoje a evocação do natalício de Iberê Camargo, de restinga Seca, como é, Estação Jacuí, era uma vilarejo e uma capela que pertencia à Restinga Seca, que era distrito de Cachoeira do Sul.
    Assim uno-me a tua homenagem ao nosso Iberê Camargo, de quem tenho uma peça na minha modesta galeria de arte.
    Vale um registro: este comentário ocorre entre as aulas da tarde e da noite. Agora já sou professor da URI-FW. É complicado ver-se extinguir a minha relação com o Centro Universitário Metodista, do IPA que catalisou, entre outras belezas, a nossa amizade,
    com continuada admiração

    attico chassot
    http://mestrechassot.blogspot.com
    www.professorchassot.pro.br

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  2. Caro Chassot,

    pois é, a postagem de hoje contempla várias proximidades que devem nos aproximar sempre. Somos da mesma terra, cheiramos o mesmo chão e partilhamos as mesmas aulas. Que não seja a tua saída do IPA que quebre nosso companheirismo e nossa amizade.

    Bom retorno, meu caro!

    Garin

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  3. Favor substituir Mônica por Verônica, que é o nome verdadeiro desta passagem bíblica.

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