terça-feira, 20 de março de 2012

Juízes por conta - ano 01 nº 375

JUÍZES POR CONTA
ANO 01 – Nº 375


A vida dos idosos, apesar dos avanços conquistados pelo movimento universal dos direitos humanos, continua sendo tratada como um objeto de consumo. Como o idoso não produz mais, não há motivos para continuar vivendo. Essa, pelo menos, parece ser o motivo que levou, em princípio, dois enfermeiros do nosso país vizinho, o Uruguai. Esses fatos, que não são inéditos, parecem continuar acontecendo bem pertinho da gente. Quem deveria se dedicar ao cuidado da vida torna-se o principal causador de seu extermínio. Em um tempo no qual se busca prolongar a sanidade dos idosos em sua longevidade, há quem se preocupe em dar cabo de sua existência: lamentável, para dizer o mínimo.

Acompanhem a notícia da agência Reuters:


URUGUAI INVESTIGA UTIS APÓS MORTE DE 16 IDOSOS POR ENFERMEIROS[1]

segunda-feira, 19 de março de 2012
Por Felipe Llambias

MONTEVIDÉU, 19 Mar (Reuters) - Autoridades sanitárias do Uruguai iniciaram uma investigação sobre as UTIs do país depois do indiciamento de dois enfermeiros pela morte de 16 pacientes idosos.

Segundo a imprensa local, a polícia suspeita que os enfermeiros tenham matado até 200 pessoas usando injeções letais de ar ou morfina, supostamente com o objetivo de abreviar o sofrimento dos pacientes.

"Descrevemos essa como uma situação dramática. (É) muito doloroso e repugnante termos assassinos dentro de uma equipe de cuidados à saúde", disse o vice-ministro da Saúde, Lionel Briozzo, a jornalistas.

"Quero ser muito claro a esse respeito: houve pessoas aqui que quiseram matar", afirmou Briozzo, anunciando o início de uma investigação sobre o eventual descumprimento de regras que poderiam ter evitado as mortes.

Os enfermeiros Marcelo Pereira, de 38 anos, e Ariel Acevedo, de 49, declararam à Justiça que mataram os idosos por pena, a fim de abreviar seu sofrimento. "Eles admitiram numerosas situações idênticas, dizendo que administraram medicações em muitas pessoas para causar suas mortes", relatou a jornalistas o juiz Rolando Vomero.

Ele disse que as vítimas tinham doenças graves, mas não estavam em estado terminal.

Pereira e Acevedo, que se conheciam, mas não sabiam das ações um do outro, foram indiciados no domingo, após meses de investigações policiais.

O caso causou perplexidade entre os 3,4 milhões de uruguaios, e a oposição pediu a demissão do ministro da Saúde, Jorge Venegas.

Vários casos semelhantes já foram registrados em outros países. Há seis anos, na Alemanha, uma enfermeira foi condenada por matar 28 idosos usando injeções de um coquetel letal, na maior série de homicídios registrada no país após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Naquele mesmo ano, nos EUA, um enfermeiro admitiu ter matado 22 pessoas com uma injeção letal ao longo de 16 anos no Estado de Nova Jersey.

DESTAQUE DO DIA

Morte de Mills (50 anos)

Charles Wright Mills nasceu em Waco, Texas a 28 de agosto de 1916 e morreu em Nyack, Nova Iorque a 20 de março de 1962. Foi um sociólogo norte-americano.

O autor ficou principalmente conhecido por seu livro A Imaginação Sociológica, publicado originalmente nos EUA em 1959. Nele o autor faz um apelo para que sociólogos não deixem a imaginação e a criatividade de lado, ao exercerem sua profissão, em favor de uma pretensa objetividade e neutralidade do trabalho científico. Para o autor as grandes obras e os grandes intelectuais da história nunca abriram mão de sua refletividade e criatividade, além de uma postura crítica diante da realidade. Mills foi leitor atento da obra de Max Weber, tendo editado nos EUA uma compilação de textos deste último. Para Mills, a racionalidade do mundo ocidental da atualidade não produziu a indispensável libertação do ser humano, já que as principais ideologias desenvolvidas - capitalismo e socialismo - não se mostraram aptas a prever e controlar intensos processos de mudança social.[2]


[1] URUGUAI INVESTIGA UTIS APÓS MORTE DE 16 IDOSOS POR ENFERMEIROS.  Disponível em http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE82I0CE20120319. Acesso em 20 mar 2012.
[2] CHARLES WRIGHT MILLS. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Wright_Mills. Acesso em 20 mar 2012.

2 comentários:

  1. Muito estimado colega Garin, ^
    associo-me a tua 'santa' indignação e como tu só sei dizer: lamentável, para dizer o mínimo.
    Com adesão
    attico chassot

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amigo Chassot,
      mesmo que saiba sobre essas lamentáveis ocorrências, não é possível ocultar o horror que causa em cada um.
      Um abraço,

      Garin

      Excluir