sexta-feira, 25 de maio de 2012

A costureira - ANO 02 – Nº 439


A COSTUREIRA


Ficava guardada junto à parede interna da sala de visitas. Era uma máquina de costura tocada a pedal, da marca Sigma. Dela, mamãe retirava as peças mais incríveis que vestiam a todos nós. Quando se sentava à máquina de costura mamãe se desligava do mundo. Era capaz de se concentrar de tal forma que a casa podia cair e ela continuava ali, juntando as partes, montando camisas, calções, saias, casaquinhos etc. Às vezes ela desmontava uma peça de roupas só para descobrir como tinha sido cortada. Fazia os moldes nas peças novas e recosturava tudo novamente.

Certa vez, toda a família andava com roupas muito remendadas. Papai vendeu um carneiro e comprou uma peça de fazenda. Mamãe fez roupas para todos nós daquele mesmo tecido. Eu ganhei uma bombacha que só era usada nos domingos para não gastar demais a roupa nova. Lá na roça, não havia esse cuidado para que as pessoas não estivessem vestidas com roupas das mesmas padronagens. O importante era estar vestido e com roupas limpas.

Nesse Dia da Costureira quero fazer a minha homenagem póstuma à mamãe, a minha costureira preferida, que além de todas as demais tarefas, que incluía lavrar a terra com arado puxado por uma junta de bois, dedicava-se a cuidar de nossa roupa.

As mulheres rurais aqui do Rio Grande do Sul, na década de 1950/60 se desdobravam em múltiplas funções, nada comparadas à multiplicidade de funções de uma mulher urbana atual. Não desmerecendo as mulheres de agora, com suas profissões e atividades domésticas, as mulheres da roça, daquela época, eram heroínas multifuncionais.

Homenagem a todas as costureiras!
DESTAQUE DO DIA

Dia da Costureira

Costureira(o) é a profissional que opera máquinas de costura convencionais e especiais, sendo que quando exímio em todas as máquinas e operações passa a fazer peças piloto (Piloteira). No passado recente era denominada de Modista. Esta profissão englobava o que temos hoje por costureira, Estilista, Modelista e Cortador. Convencionalmente, máquinas de costura entrelaçam grupos de fios entre si e o substrato a ser costurado. Conforme este entrelaçamento é entendida em seis classes de ponto (a sétima é para pontos manuais), mas hoje temos máquinas de costura que fundem o substrato através de ultrassom de modo que não usa nem agulha ou linha. Noutro aspecto são consideradas máquinas especiais qualquer uma que seja diferente das de ponto 301 (reta convencional).[1]

[1] COSTUREIRO. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Costureira. Acesso em 25 maio 2012.

4 comentários:

  1. Meu caro Garin,
    o que escreves de tua mãe costureira vale, em muito, para minha mãe. Ela tinha uma maquina de costura Mundlos (acabo ter ratificado sua existência com o Prof. Google). Havia na família uma Pfaff — que se dizia a sigla de: para fazer a família feliz —. Minha mãe costurava para o casal e os sete filhos.
    Lembro ainda das cuecas feitas de sacos de farinha de trigo onde ficava a marca ‘verde-amarela de indústria brasileira’.
    Fazer moldes marcados com giz e carretilha ajudados por uma trena e uma régua confeccionado por meu pai eram rituais que me encantava. Todavia, quando tomava da tesoura, para iniciar o corte no tecido vinha o invariável “In Gottes Namen”. Tudo na minha casa começava com o ‘em nome de Deus’ reverenciado em alemão, língua materna de meus pais.


    attico chassot
    http://mestrechassot.blogspot.com

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    1. Amigo Chassot,
      parece que havia certos arquétipos que não variavam tanto. Ainda que fossemos criados em regiões próximas, essas atividades eram comuns nas famílias daquelas décadas.
      Um abraço,
      Garin

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  2. Pesquisando sobre costureiras encontrei seu post.
    O compartilhei em meu facebook, citando a fonte.
    Não vivi esse tempo, mas lembro da minha falecida avó, a costureira da família, falando que "essa geração reclama demais, antigamente a gente usava roupa de saco"....

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